terça-feira, 5 de janeiro de 2010

filhos


Ai como eles falam...
Meu Deus, como eles falam...
Acho legal o exercício hiperbólico de vocativos: "pai, por que ele ganhou três e eu não, pai? Hein, pai? por que ele ganhou três pai? Por que pai? Me diz pai"

Paitai kai pai rai! Quanto pai!

Ai como eles se mexem...
Meu Deus, como eles se mexem...
Gosto das habilidades malabarísticas e mágicas de esconder-se e surgir: lição 1)escalando porta com o dedo pronto para ser esmagado, lição 2) ficando debruço na janela faminta para engolir criança até o estômago do térreo e lição 3) fazendo cabanas com apenas 2 vassoras e 5 lençois limpos.

Como diria Lady Kate: 'Jesus Crime'

Estranha compatibilidade entre paz e caos...
Compatibilidade estranha entre seres marcados pelo desgaste da vida e criaturas virgens de maldade.

Ouvi dizer que são eles, os filhos, os únicos a falar a verdade... talvez seja por isso que nós os amemos tanto.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Aridez


Pedra...
Vida que pedra da pedra sem pedra de pedra empedrada.
Vazio...
Vazio silêncio que silencia o silêncio de silêncios diversos.
Fumaça...
Escura fumaça de fumaça que fumega toda fumaça sem fumaça

rio que segue...
vento que passa...
tempo que consome
e consome
e some
que cura
e cura
cura

Flor...
Flor que floreia as flores floridas de flores que floreiam
Céu...
Dias de céu que céu os céus de todos os céus
Paz...
Vida que paz a paz de uma vida que de pedra, vazio e fumaça só paz o que de fato paz!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Caminhar é preciso!


Caminhar é preciso!
Antes de qualquer coisa, é preciso caminhar. Lembro do desespero dos peixinhos de Finding Nemo tentando fugir da rede macabra do homem-faminto. Este cumpria com seu papel de buscar para si meios de subsistência, aqueles com o de procurar manter a existência.

Caminhar é preciso!
No desespero, na rede de pesca, difícil é acreditar que vale a pena continuar. Pra eles valeu... Que bom! Imaginem quantas crianças ficariam traumatizadas?

Só que a rede, muitas vezes, custa a arrebentar e quando arrebenta, pode resvalar em rochas e outras surpresas que nem sempre são agradáveis.
Somos escravos de nossa liberdade! E na nossa auto-suficiência, na nossa crença de que somos super-homens de capas vermelhas blindadas e peitos de aço protetores contra dor, vivemos... ou assim pensamos!

Fato é que nada somos. Para os que creem, e eu sou um desses, só passamos a ser quando na posição de criatura, o que requer um Criador.
Quando acreditamos que nossa existência não se deve ao acaso, temos a chance da luz. O enlightment que nos persegue e atrai, que nos ofusca e ilumina, que nos mostra grandes e pequenos.

Somente assim, creio eu, na ignorância de minha vida, conseguimos caminhar. Somente assim, conseguimos acreditar, sem pregação piegas, na vida, na nossa vida.

Sim, viver a vida que deve ser vivida. Com altos e baixos, saltos e tropeços, mas sempre ela, a vida. Só assim, somente assim, acho que descobrimos que caminhar é preciso!

Sim! Caminhemos! Juntos e sozinhos na pista que com amor nos foi preparada...
Em outras palavras, como dizia o peixinho: "Continue a nadar!"

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Amigos... :)


"Suponhamos que uma raça realmente se mostrasse inferior, por evidências científicas indubtáveis; esse fato justificaria seu extermínio? Mas a resposta a essa pergunta é muito fácil, pois podemos invocar o 'Não matarás' que efetivamente tornou-se o pensamento legal e moral do Ocidente desde a vitória do cristianismo sobre a antiguidade. Mas em termos de um pensamento não govenado por restrições legais, morais ou religiosas [...] a pergunta teria de ser colocada assim: Tal doutrina, mesmo que convincentemente demonstrada, valerá o sacrifício de uma única amizade que seja entre duas pessoas?"
Hannah Arendt sobre Lessing

é isso o que penso: a amizade é uma grande verdade. ela é sempre o sentimento mais fundamental existente entre os homens...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A justiça vem antes da caridade


Quando alguém se dá conta de que é evoluido por achar que consegue ajudar o próximo que precisa...'tá fudido!'...pode estar cometendo um erro maior do que o da indiferença.

Nosso cotidiano é permeado de distorções e inverdades que mostram como que de muitos do nosso entorno lhes tenham sido pilhadas essências e verdades de forma que estes moribundos sejam forçados a caminhar com pernas de pau, já que as suas se lhes foram destituidas.

As brincadeiras do SOS sopão para mendigos, do Bolsa-trombadinha do sinal vermelho, do Brechó da 3a idade - cujos modelos exclusivos são em geral doações diretas daqueles que atravesaram o túnel do além - não passam de uma sacanagem que a gente faz com os menos favorecidos para que a nossa hipócrita consciência cristã possa sempre 'repousar no Senhor, porque a nossa parte já foi feita'. People suck! Eu já disse.
Pobre Senhor que se vê obrigado a participar de comíssios, orações de cura, palestras e seminários teologais que visam a solucionar 'as distorções sociais'. Putz!
Essa é uma ode aos pobres favelados pobres, aos doentes moribundos que repousam em seus spas SUS D'or, aos religiosos e suas certezas irrefutáveis, aos ateus e suas irrefutáveis certezas, às putas e viados, aos estudantes da escola pública miserável, aos descasados e encalhados, às infelizes passa-lava-arrumadeiras esposas, ao gangrenado e infartado velhote de cabeça branca e àquele resto de porra e início de vida que sê obrigado a sair fora do túnel da vida sem nem mesmo ter tido a chance de conhecê-la. Enfim, hoje não estou poético, estou com a alma cansada, mas com a fé em um Deus que há de ser bom sempre, apesar da gente. Tentemos olhar as coisas mais de frente a assumir a proposta das bem-aventuranças, assumindo e amando o próximo, através de uma conduta, atitude e discurso que de fato nos permitam a sonhada consciência limpa.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Palhaços


Eu perdi a inocência há muito tempo.
Claro que continuo não enxergando um palmo a minha frente, mas burradas, acertos e tentativas me fazem atento a possíveis cabeçadas e tropeços.O que me impressiona é ver que ainda há inocentes ao meu redor.
Os inocentes são impressionantemente felizes, diria até mágicos. Quando a vida tenta maltratá-los, com sua bondade de coração, eles conseguem ludibriá-la e fazê-la sorrir junto deles, como se ela mesma, a vida, fosse no fundo uma festa à la Baco. São como crianças no circo: apesar do contido espaço em que são colocadas, elas se expandem em sorrisos, gritos e pipocas por um tombo, um susto ou o chorar mascarado de um palhaço, que nas metáforas da vida é, em última análise, ela mesma.
Quisera eu ser assim. Como os pequeninos, os herdeiros do reino.
Talvez meu silêncio cessace e minhas reflexões teriam mais sentido.
Só não abro mão de uma coisa: tê-los por perto faz a vida bem mais interessante.
Um brinde ao inocente!

domingo, 14 de junho de 2009

O mito




Me irrita a postura das pessoas diante do mito.
O pior é que quase tudo é mito, mas todos sabem que a vida pode se tornar um caos para aqueles que querem fugir do mito - como se isso fosse possível -, já que eles terminam vivendo em função do mito de que não existe mito... e sobre isso, não minto!

As pessoas constróem ilusões a partir das loucuras imaginativas herdadas ao longo dessa tal de história. Aliás, o pior da história é saber que você é resultado dela e ter de ser senhor do seu próprio curso. Difícil acreditar que isso é possível...lembra do tal 'efeito borboleta'? Credo!

E o rio segue... e as folhas caidas das árvores seguem... errantes e quase sempre sem medo de estarem erradas, porque o mito assim as permite ser. Que bom! Talvez fosse insuportável se não fosse assim.

Acho que hoje eu estou muito chato. E isso não é mito!