domingo, 14 de junho de 2009

O mito




Me irrita a postura das pessoas diante do mito.
O pior é que quase tudo é mito, mas todos sabem que a vida pode se tornar um caos para aqueles que querem fugir do mito - como se isso fosse possível -, já que eles terminam vivendo em função do mito de que não existe mito... e sobre isso, não minto!

As pessoas constróem ilusões a partir das loucuras imaginativas herdadas ao longo dessa tal de história. Aliás, o pior da história é saber que você é resultado dela e ter de ser senhor do seu próprio curso. Difícil acreditar que isso é possível...lembra do tal 'efeito borboleta'? Credo!

E o rio segue... e as folhas caidas das árvores seguem... errantes e quase sempre sem medo de estarem erradas, porque o mito assim as permite ser. Que bom! Talvez fosse insuportável se não fosse assim.

Acho que hoje eu estou muito chato. E isso não é mito!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O recomeço, o medo e a fantasia


Na vida, todo dia temos a chance do recomeço. O passado não mais existe, lá ficou! A perspectiva do dia seguinte é a única realidade que importa, mas ela necessariamente passa pelo fulgaz momento presente. Não é por acaso que a bíblia cita a necessidade de pensarmos no agora...

O recomeço acontece no agora em função da fantasia de um futuro mais aprazível. De certo, nesse jogo de azar, emaranhado com fios suaves de teia de aranha que mal podemos identificar, mas que formam um sistema complexo-perfeito, só nos cabe segurar no volante de nossa própria existência. Ultrapassagens e olhadas de retrovisor podem ser perigosas, mas que elas fazem parte dessa caminhada, disso não tenho dúvidas. Sejam as nossas ou as dos que nos cercam, elas sempre nos afetarão de alguma forma.

Não existe controle de fato. Também não existe caos completo. O discurso é construido, a vida é conduzida, e seja lá qual for o resultado, a blindagem do fingimento de que somos felizes nos permite seguir. Sem ela, o desepero nos assola... o carro atola.

Não posso concluir sem falar do medo. Implicitamente, ele permeia todo esse pensamento: silencioso, astuto e ao mesmo tempo voraz, ele se faz de co-piloto e se dá o direito de opinar, de sugerir, de decidir. Aos que gostam de dirigir sozinhos, todo o mérito! São esses os verdadeiros libertos, bandeirantes numa escura, densa e perigosa floresta, que no final de cada noite nos brinda com o nascer da luz e com o sussurro dos rios. Ou seria o conrário? Nos brinda, ao final do dia, sempre com a escura dose pesada de realidade de que o que está a uma palma da sua frente é, inegavelmente, o que você não conhece?

Opções... a nós, cabe definir as nossas... Enjoy!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Paixão de mamute


Paixão de mamute...

Eu nunca vi um mamute.

Também nunca vi indivíduo apaixonado que não fique hipertrofiado como um. Apaixonados são insuportavelmente grandes. Não há mundo murcho. Não há dia chuvoso. Neblina não existe.

O apaixonado carrega o corpo no coração. Seu olhar é viciado, viciado a acreditar que tudo é perfeito. Não precisam de mais nada, e foda-se os outros, porque eles não precisam de ninguém mais para se sentirem absolutos, para se sentirem Deuses.

Eis a nota de roda-pé! O contratao é bilateral... e ai o rabo torce a porca!

A verdade pode ser amarga, e a única moeda que você tinha no bolso é na verdade aquela que pode te fazer miserável... forever!

O objeto desejado tem vida própria, da sua forma, ele tem vida própria. Nosso poder de desejo, nada tem a ver com nossa capacidade de conquista... as partes mantém cotas igualitárias. E ai, tudo pode 'babar'...

Ai, os mamutes! Se eles soubessem disso tudo, não teriam se tornado elefantes...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

manhã de domingo

Manhã de domingo é igual a encontro com psicanalista. Você sempre para tudo para, de alguma forma, pensar na sua vida, seja buscando algo menos ordinário a ser feito, seja pela busca de respostas provindas de algum plano extra físico, seja teorizando sobre a vida que você percebe refletida no teto branco do seu quarto.

Isso dá pano pra manga. Vive-se um dia, como se todos os outros não o fossem. De fato, eles apenas parecem a fotografia da rotina do proletário, carvoeiro, que roboticamente vive e atua no cenário real sem perceber que o tempo o devora. Mas o domingo não! O domingo é diferente, é cronista, questionador, observador e (por que não dizer?): alegre.

Não faz sentido isso. Não sou o primeiro a dizê-lo. Também não é necessário aceitá-lo.

Agora, se a sua manhã de domingo for chuvosa... danou-se!
Boa semana!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

pulvis est et in pulvis revertere

conjugação verbal:

eu virarei pó

você virou a casaca

Ele virá

nós viraríamos o país do futuro

a gente vira a massa

vocês viram os pobres??

eles viraram pó... e até agora não voltaram pra falar do sopro

sábado, 31 de janeiro de 2009


A inteligência cria mundos que não vemos, enquanto a burrice destrói o único que temos.

Na vida, eu crio mundos. O tempo inteiro. No campo profissional, fico me imaginando produtivo, promissor e fico projetando o sucesso. As vezes projeto o caos, a falência e a desordem.

Na vida pessoal, fico projetando os 'e se'...
E se eu não tivesse feio isso? E se eu tivesse dito aquilo? E se eu tivesse sido mais corajoso? Merda! Eu odeio os 'e se'. Frustram-me. Fazem me lembrar da minha covardia, da minha limitação e miséria. Da minha incapacidade de contemplar a beleza do presente. Acabam-se verdades, destróem-se conquistas, perdem-se amizades e quebram-se promessas.

Eis, então, a burrice... veloz, sagaz e completa. Cegando e seduzindo como perfume de mulher loira. Foda!

Mas respiro o falso perfume da felicidade suposta, da felicidade imaginada.

E quando caio na real (se é que já cai) percebo-me misto. Misto de intelgência e burrice. Um misto-quente.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Cativar


E foi então que apareceu a raposa.
__ Bom dia - disse a raposa.
__ Bom dia - respondeu educadamente o pequeno príncipe, que , olhando a sua volta, nada viu.
__ Eu estou aqui - disse a voz, debaixo da macieira...
__ Quem és tu? - perguntou o principezinho. __ Tu es bem bonita...
__ Sou uma raposa - disse a raposa.
__ Vem brincar comigo - propôs ele. __ Estou tão triste...
__ Eu não posso brincar contigo - disse a raposa. __ Não me cativaram ainda.
__ Ah! desculpa - disse o principezinho.
Mas após refletir, acrescentou:
__ O que quer dizer "cativar"?
__ Tu não és daqui - disse a raposa. __ Que procuras?
__ Procuro homens - disse o pequeno príncipe. __ Que quer dizer "cativar"?
__ Os homens - disse a raposa - têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?
__ Não - disse o príncipe. __ Eu procuro amigos. __ Que quer dizer "cativar"?
__ É algo quase sempre esquecido - disse a raposa. __ Significa "criar laços"...
__ Criar laços?
__ Exatamente - disse a raposa. __ Tu não és nada para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E Não tenho necessidade de ti. E tu também não tem necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. Eu serei para ti única no mundo...
__ Começo a compreender - disse o pequeno príncipe. __ Existe uma flôr... eu creio que ela me cativou...
__ É possível - disse a raposa. __ Vê-se tanta coisa na Terra...
__ Oh! não foi na Terra - disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
__ Num outro planeta?
__ Sim.
__ Há caçadores nesse outro planeta?
__ Não.
__ Que bom! E galinhas?
__ Também não
__ Nada é perfeito - suspirou a raposa.
Mas a raposa retornou a seu raciocínio.
__ Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens também. E isso me incomoda um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo... A raposa calou-se e observou por muito tempo o príncipe:
__ Por favor... cativa-me! -disse ela.
__ Eu até gostaria -disse o principezinho -, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
__ A gente só conhece bem as coisas que cativou -disse a raposa. __ Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
__ O que é preciso fazer? -perguntou o pequeno príncipe.
__ É preciso ser paciente -respondeu a raposa. __ Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. E te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás um pouco mais perto...
No dia seguinte o príncipe voltou.
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Pra pensar...
Por quanto tempo devemos ficar sentados na relva?
Até quando devemos ficar calados?
Quando se aproximar?
É verdade que a linguagem se torna fiel aos fatos?
Até quando voltamos?