quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Caminhar é preciso!


Caminhar é preciso!
Antes de qualquer coisa, é preciso caminhar. Lembro do desespero dos peixinhos de Finding Nemo tentando fugir da rede macabra do homem-faminto. Este cumpria com seu papel de buscar para si meios de subsistência, aqueles com o de procurar manter a existência.

Caminhar é preciso!
No desespero, na rede de pesca, difícil é acreditar que vale a pena continuar. Pra eles valeu... Que bom! Imaginem quantas crianças ficariam traumatizadas?

Só que a rede, muitas vezes, custa a arrebentar e quando arrebenta, pode resvalar em rochas e outras surpresas que nem sempre são agradáveis.
Somos escravos de nossa liberdade! E na nossa auto-suficiência, na nossa crença de que somos super-homens de capas vermelhas blindadas e peitos de aço protetores contra dor, vivemos... ou assim pensamos!

Fato é que nada somos. Para os que creem, e eu sou um desses, só passamos a ser quando na posição de criatura, o que requer um Criador.
Quando acreditamos que nossa existência não se deve ao acaso, temos a chance da luz. O enlightment que nos persegue e atrai, que nos ofusca e ilumina, que nos mostra grandes e pequenos.

Somente assim, creio eu, na ignorância de minha vida, conseguimos caminhar. Somente assim, conseguimos acreditar, sem pregação piegas, na vida, na nossa vida.

Sim, viver a vida que deve ser vivida. Com altos e baixos, saltos e tropeços, mas sempre ela, a vida. Só assim, somente assim, acho que descobrimos que caminhar é preciso!

Sim! Caminhemos! Juntos e sozinhos na pista que com amor nos foi preparada...
Em outras palavras, como dizia o peixinho: "Continue a nadar!"

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Amigos... :)


"Suponhamos que uma raça realmente se mostrasse inferior, por evidências científicas indubtáveis; esse fato justificaria seu extermínio? Mas a resposta a essa pergunta é muito fácil, pois podemos invocar o 'Não matarás' que efetivamente tornou-se o pensamento legal e moral do Ocidente desde a vitória do cristianismo sobre a antiguidade. Mas em termos de um pensamento não govenado por restrições legais, morais ou religiosas [...] a pergunta teria de ser colocada assim: Tal doutrina, mesmo que convincentemente demonstrada, valerá o sacrifício de uma única amizade que seja entre duas pessoas?"
Hannah Arendt sobre Lessing

é isso o que penso: a amizade é uma grande verdade. ela é sempre o sentimento mais fundamental existente entre os homens...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A justiça vem antes da caridade


Quando alguém se dá conta de que é evoluido por achar que consegue ajudar o próximo que precisa...'tá fudido!'...pode estar cometendo um erro maior do que o da indiferença.

Nosso cotidiano é permeado de distorções e inverdades que mostram como que de muitos do nosso entorno lhes tenham sido pilhadas essências e verdades de forma que estes moribundos sejam forçados a caminhar com pernas de pau, já que as suas se lhes foram destituidas.

As brincadeiras do SOS sopão para mendigos, do Bolsa-trombadinha do sinal vermelho, do Brechó da 3a idade - cujos modelos exclusivos são em geral doações diretas daqueles que atravesaram o túnel do além - não passam de uma sacanagem que a gente faz com os menos favorecidos para que a nossa hipócrita consciência cristã possa sempre 'repousar no Senhor, porque a nossa parte já foi feita'. People suck! Eu já disse.
Pobre Senhor que se vê obrigado a participar de comíssios, orações de cura, palestras e seminários teologais que visam a solucionar 'as distorções sociais'. Putz!
Essa é uma ode aos pobres favelados pobres, aos doentes moribundos que repousam em seus spas SUS D'or, aos religiosos e suas certezas irrefutáveis, aos ateus e suas irrefutáveis certezas, às putas e viados, aos estudantes da escola pública miserável, aos descasados e encalhados, às infelizes passa-lava-arrumadeiras esposas, ao gangrenado e infartado velhote de cabeça branca e àquele resto de porra e início de vida que sê obrigado a sair fora do túnel da vida sem nem mesmo ter tido a chance de conhecê-la. Enfim, hoje não estou poético, estou com a alma cansada, mas com a fé em um Deus que há de ser bom sempre, apesar da gente. Tentemos olhar as coisas mais de frente a assumir a proposta das bem-aventuranças, assumindo e amando o próximo, através de uma conduta, atitude e discurso que de fato nos permitam a sonhada consciência limpa.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Palhaços


Eu perdi a inocência há muito tempo.
Claro que continuo não enxergando um palmo a minha frente, mas burradas, acertos e tentativas me fazem atento a possíveis cabeçadas e tropeços.O que me impressiona é ver que ainda há inocentes ao meu redor.
Os inocentes são impressionantemente felizes, diria até mágicos. Quando a vida tenta maltratá-los, com sua bondade de coração, eles conseguem ludibriá-la e fazê-la sorrir junto deles, como se ela mesma, a vida, fosse no fundo uma festa à la Baco. São como crianças no circo: apesar do contido espaço em que são colocadas, elas se expandem em sorrisos, gritos e pipocas por um tombo, um susto ou o chorar mascarado de um palhaço, que nas metáforas da vida é, em última análise, ela mesma.
Quisera eu ser assim. Como os pequeninos, os herdeiros do reino.
Talvez meu silêncio cessace e minhas reflexões teriam mais sentido.
Só não abro mão de uma coisa: tê-los por perto faz a vida bem mais interessante.
Um brinde ao inocente!

domingo, 14 de junho de 2009

O mito




Me irrita a postura das pessoas diante do mito.
O pior é que quase tudo é mito, mas todos sabem que a vida pode se tornar um caos para aqueles que querem fugir do mito - como se isso fosse possível -, já que eles terminam vivendo em função do mito de que não existe mito... e sobre isso, não minto!

As pessoas constróem ilusões a partir das loucuras imaginativas herdadas ao longo dessa tal de história. Aliás, o pior da história é saber que você é resultado dela e ter de ser senhor do seu próprio curso. Difícil acreditar que isso é possível...lembra do tal 'efeito borboleta'? Credo!

E o rio segue... e as folhas caidas das árvores seguem... errantes e quase sempre sem medo de estarem erradas, porque o mito assim as permite ser. Que bom! Talvez fosse insuportável se não fosse assim.

Acho que hoje eu estou muito chato. E isso não é mito!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O recomeço, o medo e a fantasia


Na vida, todo dia temos a chance do recomeço. O passado não mais existe, lá ficou! A perspectiva do dia seguinte é a única realidade que importa, mas ela necessariamente passa pelo fulgaz momento presente. Não é por acaso que a bíblia cita a necessidade de pensarmos no agora...

O recomeço acontece no agora em função da fantasia de um futuro mais aprazível. De certo, nesse jogo de azar, emaranhado com fios suaves de teia de aranha que mal podemos identificar, mas que formam um sistema complexo-perfeito, só nos cabe segurar no volante de nossa própria existência. Ultrapassagens e olhadas de retrovisor podem ser perigosas, mas que elas fazem parte dessa caminhada, disso não tenho dúvidas. Sejam as nossas ou as dos que nos cercam, elas sempre nos afetarão de alguma forma.

Não existe controle de fato. Também não existe caos completo. O discurso é construido, a vida é conduzida, e seja lá qual for o resultado, a blindagem do fingimento de que somos felizes nos permite seguir. Sem ela, o desepero nos assola... o carro atola.

Não posso concluir sem falar do medo. Implicitamente, ele permeia todo esse pensamento: silencioso, astuto e ao mesmo tempo voraz, ele se faz de co-piloto e se dá o direito de opinar, de sugerir, de decidir. Aos que gostam de dirigir sozinhos, todo o mérito! São esses os verdadeiros libertos, bandeirantes numa escura, densa e perigosa floresta, que no final de cada noite nos brinda com o nascer da luz e com o sussurro dos rios. Ou seria o conrário? Nos brinda, ao final do dia, sempre com a escura dose pesada de realidade de que o que está a uma palma da sua frente é, inegavelmente, o que você não conhece?

Opções... a nós, cabe definir as nossas... Enjoy!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Paixão de mamute


Paixão de mamute...

Eu nunca vi um mamute.

Também nunca vi indivíduo apaixonado que não fique hipertrofiado como um. Apaixonados são insuportavelmente grandes. Não há mundo murcho. Não há dia chuvoso. Neblina não existe.

O apaixonado carrega o corpo no coração. Seu olhar é viciado, viciado a acreditar que tudo é perfeito. Não precisam de mais nada, e foda-se os outros, porque eles não precisam de ninguém mais para se sentirem absolutos, para se sentirem Deuses.

Eis a nota de roda-pé! O contratao é bilateral... e ai o rabo torce a porca!

A verdade pode ser amarga, e a única moeda que você tinha no bolso é na verdade aquela que pode te fazer miserável... forever!

O objeto desejado tem vida própria, da sua forma, ele tem vida própria. Nosso poder de desejo, nada tem a ver com nossa capacidade de conquista... as partes mantém cotas igualitárias. E ai, tudo pode 'babar'...

Ai, os mamutes! Se eles soubessem disso tudo, não teriam se tornado elefantes...